O “corte da própria carne” não surtiu efeito

índiceEm tempos de crises, por que sacrificar o trabalhador que se locomove ou de ônibus ou com o carro próprio, que acorda cedo e enfrenta transito por várias horas, em detrimento daqueles que recebem um salário excelente e benefícios exorbitantes? Não consigo visualizar sentido moral numa prática como esta.

Faço essa pergunta, pois falou-se muito no decorrer do ano em “cortar da própria carne”, porém, pouco ou nenhum resultado parece estar surtindo efeito. No início do mês de outubro a Presidenta Dilma anunciou as seguintes medidas:

– Redução de 8 ministérios;
– Redução de 30 secretarias nacionais;
– Extinção de 3 mil cargos comissionados;
– Redução em 10% do salário da presidenta, do vice-presidente e dos ministros;
– Redução de 20% em gastos de custeio e terceirização;
– Revisão dos contratos de aluguel e de serviços como vigilância, segurança e TI;
– Revisão do uso do patrimônio da União; governo só ficará com prédios que servirem a políticas públicas;
– Criação de central de automóveis, com objetivo de reduzir e otimizar a frota;
– Limites de gastos com telefones, passagens e diárias.

Retirado do blog.planalto.gov.br

Infelizmente esse reforma administrativa aconteceu apenas em uma parcela pequena do Poder Executivo. No entanto, essa reformulação deveria acontecer de forma mais profunda dentro do próprio Executivo e estende-lo ao Legislativo e Judiciário. Todavia, não teria o efeito necessário se o corte ficasse restrito à União. É necessária expandi-la para outros entes da federação: estados, DF e municípios.

Outro ponto que deve-se observar: é dito muito sobre redução dos salários e de cargos comissionados. Porém, esquece-se que todos os senadores e deputados (estaduais/distritais), a presidenta da república, secretários, juízes, procuradores recebem benefícios que nenhum outro trabalhador tem direito. Por exemplo, deputados tem direito ao Auxílio-paletó. Quer dizer que um parlamentar que recebe mais de R$ 20 mil não tem mínimas condições de comprar um terno? Já presenciei estagiário comprando terno recebendo bolsa-auxílio de R$ 600,00.

Os ministro, deputados federais, senadores e toda alta cúpula da administração que controle-de-gastos-1é transferido para outra cidade recebe mais de R$ 4 mil como auxílio-moradia. Considero um absurdo e um tapa na cara de todo cidadão brasileiro que em muitos casos recebe menos de R$ 2 mil, ou pior, há quem ganha um salário mínimo e sustenta a família.

O reajuste que muitos cogitam está relacionado ao Bolsa-Família. Para mim, essa hipótese deveria ser pensada em último caso. Afirmo isso, porque os benefícios para essas famílias varia entre R$ 35,00 até R$ 336,00 por mês, menos da metade de um salário mínimo. Diminuir o benefício do Bolsa-Família e manter a mamata da alta cúpula da administração é acreditar que a distribuição de renda é responsável pelo déficit vivenciado.

Ao observar esses e tantos outros problemas, numa conversa com minha família, ouvi bastante reclamações e indignações com relação as injustiça que pairam no Brasil. Por isso, acredito que as elencações abaixo ajudariam de forma efetiva no redução de gastos:

  1. Cortar todo benefício de agentes público e político que tenham remuneração  mensal acima dos R$ 6 mil mensais. (os direitos a vale-alimentação e transporte permanece, assim como de qualquer cidadão).
  2. Reduzir de forma efetiva o salário dos funcionários que fazem parte do alto escalão da administração pública, tanto no âmbito federal, estadual e municipal.
  3. Valorizar o trabalhador pequeno. Ao invés de parcelar seu salário ou benefícios para sustentar funcionários que recebem um salário excelente e benefícios exorbitantes. Quem recebe R$ 15 mil, por exemplo, consegue muito bem ter uma boa casa em um excelente bairro, carro do ano e roupas de qualidade para trabalhar.

Existem outras ações efetivas que ajudariam o país a deixar de ser tão injusto, no entanto, o que falta é vontade de querer mudar a realidade coletiva. Esse deveria ser o papel de um político, defender o direito e bem-estar da nação e não os interesses próprios.

O Brasil é um paraíso, porém, só é um paraíso para aqueles que o comandam. Para os demais, ele é uma luta árdua diária. Vivemos em um lugar onde privilegiamos poucos e sacrificamos muitos.

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