Crise política do Cantareira

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Nível do Cantareira é de 10,6%

Com o término das eleições, a crise do sistema Cantareira tomou um novo rumo.  Após recursar ajuda do governo federal, no último dia 10, o governador reeleito pelo Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, participou de uma reunião com a presidenta Dilma a fim de tratar da crise que assola as regiões abastecidas pelo  Cantareira.

Em reunião no Palácio do Planalto, Alckmin disse precisar de R$ 3,5 mi para a realização de oito obras que servirão para o enfrentamento da crise do abastecimento de água na região a partir de 2015. Contudo, essa verba só poderá ser liberada quando o governador apresentar o projeto de todas as obras, o que não foi feito até o momento.

Porém, é importante ressaltar o seguinte: antes e durante o período eleitoral,  o governador Alckmin e a SABESP sempre alegaram que o estado não precisava da ajuda do governo federal e do órgão competente, neste caso a ANA, por que a situação estava sob controle. Também alegaram que o estado não iria praticar o rodizio, medida em que a população abastecida pelo Cantareira ficaria um dia com água outro dia sem água.

A ONU (Organização das Nações Unidas) foi duramente criticada por agir de forma política, como destacou Alckmin numa carta de repúdio enviada ao secretário-geral Ban Ki Moon. Outro fator que incomodou bastante o governador foi o relatório de Catarina de Albuquerque, relatora especial de água e saneamento da ONU, em que responsabiliza o estado pela crise hídrica.

De acordo com a relatora,  o estado foi omisso no combate contra o desperdício de água. Catarina de Albuquerque deu uma entrevista ao Jornal Folha de São Paulo informando que faltaram investimentos e medidas que visassem a economia hídrica. No entanto, a SABESP nega a falta de investimentos no Cantareira.

Todavia, há de se fazer uma importante observação. Em 2009 a crise já estava sendo prevista pela Fundação de Apoio à USP. O governador do estado na época, José Serra, teve um relatório da Fundação aconselhando que medidas fossem tomadas de forma emergencial, com o objetivo de evitar um desastre hídrico de grandes proporções.

Os Ministérios Públicos Estadual e Federal também enviaram um relatório ao Serra recomendando que a vasão do Cantareira fosse reduzida. Por contrato, a SABESP tem direito a utilizar  24,8 mil litros por segundo do sistema Cantareira. No entanto, no auge dos problemas, a entidade vinha usando 33 mil litros. Isso porque numa clausura do contrato permite que o limite seja excedido, caso tenha ocorrido um volume maior do que o previsto no ano anterior.

Com esses dados, conclui-se que a SABESP agiu de forma irresponsável com relação a gestão hídrica do Cantareira. Apesar dos alertas dos MPs e da entidade vinculada a USP, a vasão estava em um nível bastante elevado. Foi apenas decorrer da crise que reduziram a quantidade de água coletada, contudo, algumas cidades já estavam vivenciando o racionamento.

Toda a informação detalhada acima só foi noticiada de forma mais clara dias após o resultado das eleições. Anteriormente, apenas os blogueiros e alguns jornais independentes fizeram essas publicações.

Também, após as eleições, a presidenta da SABESP, Dilma Pena, aduz que essas informações não foram divulgadas por causa de uma ordem superior. Ordem superior de quem? Quem seriam os maiores beneficiados pela não veiculação de todos os detalhes da crise que está assolando São Paulo?

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