Entrevista com Rachel Sheherazade

pragmatismopolitico.com.brO jornalista, Niltomn Carauta, divulgou hoje (07/02) uma entrevista com a âncora do SBT, Rachel Sheherazade. Após a declaração polêmica, no qual defendeu a atitude dos “justiceiros” em acorrentar um jovem nu ao poste e cortar um pedaço de sua orelha que era suspeito de assalto, Rachel foi linchada virtualmente.

A emissora afirmou que a as palavras da âncora não refletem as opiniões da emissora. O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro divulgou uma nota de repúdio contra o pronunciamento de Rachel, alegando que ela violou o código de Ética dos Jornalistas Brasileiros e os Direitos Humanos.

Mesmo alegando que “é do bem”, a forma c

omo foi proferido os comentários mostram que um teor de conservadorismo. No entanto, essa não é primeira vez que ela está envolvida em polêmica. Em 2012, ela disse que “ateus não tinham o que fazer” quando pediram para que a frase “Deus seja l

ouvado” fosse retirada das cédulas do real.

Um ano depois, Rachel gerou polêmica por ser a favor de testes cosméticos em animais. É nítido que as declarações da jornalista sempre foram afiadas, contudo, sua fala na última terça-feira (04/02) foi a gota d’água.

“O marginalzinho amarrado ao poste era tão inocente que, ao invés de prestar queixa contra seus agressores, preferiu fugir antes que ele mesmo acabasse preso. É que a ficha do sujeito está mais suja do que pau de galinheiro.

No país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, que arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível. O Estado é omisso, a polícia é desmoralizada, a Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, é claro.

O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. E, aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido”.

Entrevista

Como você vê a reação a seus comentários? Acha que foi mal interpretada?

— Tenho certeza que fui INTENCIONALMENTE mal interpretada. Em nenhum momento, no meu comentário, há qualquer menção de apoio à violência praticada pelos justiceiros. Não disse que a atitude deles foi “aceitável” disse que foi “compreensível”, e argumentei o porquê. Foi COMPREENSÍVEL porque vivemos num país abandonado, entregue de bandeja à criminalidade, sem policiamento, sem segurança…. Um país com mais de 60 mil h

omicídios por ano e que, por leniência ou incompetência, acaba arquivando 80 por cento de seus inquéritos, gerando cada vez mais impunidade. E é essa sensação de injustiça e de vulnerabilidade que acaba levando o indivíduo a ações extremas, como a atitude dos justiceiros do Rio. Isso não é aceitável, mas é, como eu disse e repito: COMPREENSÍVEL.

Se arrepende de ter comentado o assunto de forma tão polêmica?

— Não me arrependo. O assunto acabou gerando uma discussão muito construtiva para a sociedade. Espero que dela resultem ações efetivas que protejam os cidadãos de bem deste país.

De que forma você acha que sua opinião foi recebida pela sociedade?

— Sempre de forma dividida. Afinal, não há opiniões unânimes. Há temas com maior aceitação, outros com mais rejeição.

Para o líder do PSol na Câmara dos Deputados, Ivan Valente (SP), o SBT e você fizeram apologia ao crime em horário nobre. O que acha disso?

— Quem é o PSOL para me censurar, se a Constituição Brasileira me garante o direito de livre expressão? Mas, entendo o burburinho que o partido vem causando. Estamos em ano eleitoral. Não se enganem. Legendas inexpressivas precisam pegar carona em temas polêmicos, levantar bandeiras de última h

ora, defender os fracos e oprimidos, mesmo que da boca pra fora. Tudo isso gera repercussão. E entre os incautos, pode até gerar votos. Se a legenda acha que faço apologia ao crime, me processe. Quem anda com a verdade, não teme a Justiça.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/ancora-do-sbt-rachel-sheherazade-diz-que-acao-de-justiceiros-no-rio-compreensivel-nao-aceitavel-11533170#ixzz2sfBHilxt
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